quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Uma noite sem dormir

Passei grande parte da noite em claro. Ouvindo rajadas de tiros que vararam a madrugada. Moro a menos de um quilômetro da Comunidade da Formiga. Os tiros pareciam estar acontecendo na minha porta. Foi uma sensação angustiante. Mesmo sabendo que era muito improvável que meu quarto fosse atingido por uma bala perdida, não vou negar que, por momentos, a noite foi assustadora.
É triste testemunhar de dentro de nossa casa a guerra que assola meu Rio de Janeiro. É triste ver os cariocas reféns de criminosos que são os únicos que tem pleno o direito de ir e vir. É triste saber que, com muita sorte, talvez apenas os meus netos venham a conhecer a Cidade Maravilhosa tal como ela merece.
Não sou especialista em políticas públicas. Não sei o que fazer de imediato para acabar com esse pesadelo. Uma coisa é certa: na ausência do Estado, alguém sempre se aproveita para “vender” serviços que ele, o Estado, deveria suprir. Podem ser candidatos políticos com suas ambulâncias e seus centros de assistência sociais, ou milicianos vendendo gás e segurança, ou mesmo traficantes oferecendo “trabalho” para as nossas crianças. E, depois de estabelecidos estes “domicílios”, removê-los é uma tarefa hercúlea e ingrata. Em horas como essas, chego a achar que é praticamente impossível.
O momento é de tamanha desesperança que eu nem sei direito qual é o objetivo deste post. Um desabafo talvez. Gostaria de saber o que cobrar de quem. Como cobrar uma solução? Com voto? Com carta? Email? Greve de fome? O que faço eu, cidadã, contribuinte, para ajudar a transformar essa situação? Sinceramente não sei...
Eu espero ter forças para resistir à tentação de me mudar da cidade ou de transformar minha casa num bunker. Quero continuar a sair de casa todos os dias e torcer para que nem eu nem alguém querido acabemos virando mais um número na tosca estatística da violência na cidade. Torço também para que mais pessoas de bem pensem como eu e não abandonem meu Rio de Janeiro, deixando-o de presente para os criminosos. Eles não merecem minha cidade.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Presente de Aniversário


O Aniversário era do Clube de Regatas do Flamengo, mas quem ganhou o presente da Olympikus, foi a Nação. Ontem, aniversário de 114 do Flamengo, foi lançado o Totó do Mengão. É um game que pode ser jogado online ou ser baixado por qualquer rubro-negro que curta o bom e velho futebol de mesa. Na festa de lançamento, esta humilde rubro-negra e mais outros 29 blogueiros torcedores, fomos convidados a fazer 1000 gols para que o jogo fosse liberado para a Nação. Isso aconteceu em mais ou menos 2 horas da mais divertida jogatina. O jogo é muito fácil de aprender: é só usar as setas para direcionar e chutar e a barra de espaços para "roletar". A interface é fantástica: podemos escolher entre os 17 jogadores do atual elenco, entre os 3 uniformes oficiais e entre as opções táticas disponíveis. Também é possível ver os replays dos gols com os avatares do jogadores em dribles e jogadas fantásticas, incluindo um gol olímpico do Pet. O capricho com que o game foi feito é comprovado nesses e outros detalhes, como a narração de Silvio Luiz ("Olho no lance!") e a presença de Uruba & Urubinha e das organizadas mais famosas do Mengão - Raça, Jovem, Urubuzada e Fla-Manguaça - com suas faixas, seus cantos e suas festas com bolas vermelhas e pretas no Maraca - lugar onde se passa o game. A festa oferecida pela Olympikus contou também com a presença de jogadores da equipe FlaMaster, Aílton, Gilmar Popoca, Carlos Henrique e Manguito, que conversaram com os blogueiros e se divertiram tentando ganhar uma partida. A propósito, eu ganhei uma (4 x 3).
Saudações Rubro-Negras!










quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Salve São Judas Tadeu! E não só ele...


Salve toda uma nação: a Nação Rubro-Negra. Hoje, 28 de outubro, dia de São Judas Tadeu. Ele, o padroeiro do Flamengo e meu próprio, pois em sua igreja eu fui batizada. Ele, que emprestou sua data para que celebremos na Cidade do Rio de Janeiro (oficialmente) – e em vários cantos do mundo – o dia do Flamenguista.


Sou Flamenguista desde que me entendo por gente. E falar do Flamengo pra mim é mais do que emocionante porque se trata de trazer meu avô de volta à vida: Seu Beleza, o pai da minha mãe, que também é Flamenguista. Agora me diga você: o que esperar de um sujeito com um apelido desses? Uma figura querida por todos na vizinhança. Pedreiro, batalhador, patriarca apaixonado e avô carinhoso. Ele respirava Flamengo. Vivia o Flamengo. Sorria e chorava com o Flamengo num tempo em que o futebol era muito mais do que 11 marmanjos querendo ser exportados para a Europa ou para o Oriente Médio. Ele viu o primeiro Tri-Campeonato Carioca (42/43/44) com Mestre Ziza, Domingos da Guia e companhia. Viu o segundo tri (53/54/55) com Zagallo e também viu a estréia do Galinho em 72. E como ele amava esse clube, campeão na terra e no mar! E assim eu nasci com este gene indescritível e inabalável e inexplicável e incurável, incubado na minha existência: a paixão pelo Clube de Regatas do Flamengo


Mas o que é ser Flamenguista? Vou recolher-me ao clichê desta perguntinha óbvia para o dia de hoje e tentarei respondê-la à altura da Nação: 


Ser Flamenguista é, antes de mais nada, ter coração. Não me refiro ao músculo cardíaco, mas à bomba pulsante, vibrante que acelera duas vezes por semana no peito de 35 milhões de rubro-negros que têm o privilégio de sentirem-se vivos desta forma arrebatadora. 


Ser Flamenguista é envolver-se em cada partida. Mais: é transformar cada partida numa batalha, numa final de campeonato. É ser fiel e torcer simplesmente porque o time está em campo e ponto. É aplaudir até lateral, se ele foi perseguido na raça. 


Falando em raça, ser Flamenguista é ter ‘raça’ no vocabulário e no estilo de vida. É não se conformar, não se acomodar. É trabalhar o dia inteiro e ainda ter força para gritar sempre – coro unido, uníssono e muito alto – nas noites de quartas ou quintas. É saber que a vida é cheia de altos e baixos e seguir em frente, reconhecendo que no futebol essa montanha-russa é muito mais vertiginosa, mas sem nunca se deixar abalar e manter firme a paixão. 


Ser Flamenguista é ser o único a saber exatamente o que vai encontrar ao chegar às arquibancadas no Maracanã: a festa mais linda de todas. A Nação embalada pelos cânticos mais emocionantes. Homens, mulheres e crianças que – sem apelos, campanhas ou promoções – batem ponto no templo do futebol para cantar e torcer pelo esquadrão mais pressionado do futebol: aqueles rapazes que crescem em campo e viram guerreiros para defender o mais querido do mundo. 


Ser Flamenguista é sangrar junto com o time. E aqui, dou voz a ninguém menos do que Nelson Rodrigues: “O adepto de qualquer outro clube recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as raízes do ser. O torcedor rubro-negro, não. Se entra um gol adversário, ele se crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um césar apunhalado.” 


Já disse aqui antes que nada tenho contra outros clubes brasileiros. Gosto de futebol levado a sério e quero ver partidas maravilhosas tanto no Carioca quanto no brasileirão. Times de primeira linha para que quando eu grite “É CAMPEÃO!” não haja a menor das ressalvas. Sei que a maioria não é assim. Que quem não ama simplesmente odeia o meu Flamengo. Nada posso fazer. Na verdade tenho pena de gente inteligente que se dá ao trabalho de se preocupar com meu time a ponto de partir para ofensas pessoais – que sempre acabo relevando. Tenho pena daqueles cujo amor ao próprio time não se basta como o meu amor pelo Flamengo me completa. 


Meu nome é Cláudia Simas. Nascida sob o signo rubro-negro e o ascedente em Zico, a estrela maior. Eu sou apaixonada, vibrante, batalhadora e feliz. Eu sou Flamenguista, de sangue e carteirinha. 


E hoje é o meu dia, o seu dia, o nosso dia, Nação! O Dia do Flamenguista. Graças a São Judas Tadeu!


Saudações Rubro-Negras.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Procurando Emprego

Na contínua busca por um novo emprego, obviamente respondo a alguns anúncios que aparecem por email diariamente. Um deles já apareceu, vindo da mesma agência, exatamente 6 vezes em três semanas. Em todas elas enviei o email com respectivo CV anexado e uma breve apresentação no corpo do email. Não ouve nenhuma resposta até o momento e, por email, disse à amiga que me encaminnhou esta e outras oportunidades que continuaria respondendo ao anúncio, tantas vezes fosse publicada.

Eis a resposta dela:

Várias possibilidades: 
1 - Eles não são capazes de interpretar corretamente o seu CV e realizar que você seria uma ótima aquisição para o quadro de funcionários deles;
2 - Eles interpretaram corretamente e lamentam não estar no seu nível de conhecimento para lhe oferecem um salário digno. Envergonhados, nem respondem;
3 - Recebem tantos e-mails que não dão conta de ler nem 1/10 porque são incompetentes e você não merece passar por isto de ir trabalhar em uma empresa tão "chinfrin";
4 - "Alguém lá em cima" gosta tanto de você que lhe reserva uma vaga mil vezes melhor e está impedindo que você vá para esta bosta de vaga que estão oferecendo;
5 - Eles esqueceram que a vaga já foi preenchida e ão retiraram o anúncio...
Vá entender, né? 
Beijão (continuarei a torcer para que o ítem 4 acima seja o correto)
Katita
Como já disse aqui em outras oportunidades: eu amo meus amigos!

Nem título tem

Quero escrever. Quero muito escrever, mas não sei o que. Falar das minhas paranóias, da minha inquietude e da minha paixonite. Mas a primeira é imprecisa, a segunda é momentânea (espero) e a terceira é indescritível e, sinceramente, acho que prefiro mesmo não falar nela. O que eu queria mesmo é escrever fácil, como aquelas pessoas que têm o pensamento ordenado e simples e basta um tema para desencadear o raciocínio e a redação. Ou como os músicos que dedilham facilmente os instrumentos mal olhando para as cordas enquanto eu me esforço para respirar compassadamente. Quero rascunhar um poema, compor uma canção, contar um conto, expor uma teoria, destrinchar a filosofia. Nada. Nada sai dessa cabeça de vento. Assuntos vêem e vão enquanto os vejo passar na janela tal qual a Carolina de Chico. A crueldade da minha total inaptidão criativa não só me frustra, mas me corroe de tanta inveja alheia. Que feio. Que vergonha.


O que será que me falta? Um muso? Não. Disciplina. Provavelmente. Experiências contáveis? É possível. Talento? Com certeza.


Quero escrever sobre os livros que li e sobre os que quero ver. Falar dos filmes que amo e dos que ainda não amo porque simplesmente ainda não os vi. Enumerar as canções que montam a trilha sonora de uma pessoa viciada em sonoridade. Relatar o cotidiano de um escritor que não sabia que escritor era profissão e acabou se tornando outra coisa. Apresentar a família muito única e muito ouriçada. Daquele tipo até bem normal, que briga aqui, reconcilia acolá, mas não tem nenhum dramalhão para contar além da luta para pagar as contas no fim de cada mês. Já sei! A culpa é da escola que não deu livros suficientes para ler ou não me demandou um razoável número de redações na infância. Não. Desculpa canastrã demais até mesmo para mim (a rainha das justificativas injustificáveis).


Quero homenagear meus ídolos, meus heróis, minha geração. Quero citar meus amigos. Os velhos e os novos. São tantas figuras, tantas presenças, tantos presentes. Mas isso me apavora ainda mais porque não me atrevo a restringir o brilhantismo de suas personalidades fantásticas ao meu texto limitado. Falar impulsivamente, sem temer o assunto, a polêmica ou mesmo a luxúria. Mas me sinto cada vez mais incapaz. O que me resta? Pensar em parar. Não, não me conformo. E também não sei o que fazer. Ai que angústia sufocante e gelada.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Pequenas grandes coisas que me fazem sorrir


Cheiro de café
Chocolate quente (de verdade) no frio
Mãozinha de bebê segurando nosso dedo
Macarrão ou feijão da minha mãe
Coca-cola muito, muito, muito gelada
Beijo no pescoço
Sentar à noite com os pés na piscina de água fresca
Achar notinhas de dinheiro esquecidas no bolso da calça
Cheiro de refogado de alho no azeite
Tirar o sapato depois daquela super festa e pisar na cerâmica fria
Sair do banho com o cheiro do sabonete
Ver o sol nascer
Cheiro de terra molhada de chuva
Filme com cobertozinho numa tarde chuvosa
Pão recém saído do forno da padaria
O primeiro gole daquela cerveja super gelada
Rir até chorar ou doer a barriga
Banho de mangueira/borracha no quintal numa tarde quente
Pipoca salgada fresquinha feita em casa
Abraço apertado de amigo


(*) A imagem veio daqui.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Perdas

Essa é a palavra que resume o ano de 2009 para mim. Em vários aspectos e várias situações, a palavra perda se repetiu fria e cruelmente no decorrer do ano. E algo me diz que ainda não acabou. Mais uma mudança acabou de acontecer na minha vida. E mais uma à revelia da minha vontade. Surpresa, mágoa, frustração, apreensão, angústia e muita coisa passando na minha cabeça agora. Insegurança e baixa autoestima no top-top. Aquela coisa de que muita coisa poderia ter sido feita de forma diferente. Ou aquela outra de que eu tomei decisões erradas. Ou então a máxima da autopiedade que diz “pelo menos eu tentei”.

Várias pessoas estão ao meu lado. Um apoio que poucas vezes na vida me vi recebendo. E não dá pra refletir em palavras o quanto sou grata por isso. “Nada acontece por acaso”; “quando Deus fecha uma porta, ele abre uma janela”; “o que é seu está guardado” e muitas outras frases feitas (ou nem tanto) para situações assim chegam aos montes no meu email e via SMS (graças a Deus). São inúmeros depoimentos de apoio e solidariedade. Às vezes eu até consolo em vez de ser consolada. Mas o fato é que (sem medo do exagero previsível e clichê por trás desta colocação) eu não sei o que seria de mim hoje se não fosse essa torrente de demonstrações carinhosas. Só me resta dizer: obrigada, Deus, pelos meus amigos!

Agora é pensar o que deu errado e o que fazer daqui pra frente. Penso se não seria essa a hora de vender água de coco em Fortaleza ou fazer artesanato em Porto Seguro, mas acho sinceramente que não vai ser esse o caminho a seguir. Ao mesmo tempo em que algo me diz que logo, logo tudo se resolve, outra voz insiste em me dizer que irei penar um bocado e o ânimo cai em velocidade vertiginante. Mas já dizia Walter Franco: “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo”. Respiro e tento seguir com o miniplano: lembrar de todo mundo que pode me ajudar. E agradeço imensamente desde já.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Teco e eu (ou "meu primeiro smartphone")

Finalmente eu tenho um smartphone. Falei para a atendente no balcão da loja da operadora: "quero um smartphone, com 3G, Wi-Fi, Bluetooth e bem baratinho". Ela riu como quem dissesse: "mais nada? ganhar na loteria também, né?" Olha daqui, escolhe dali, pesquisa preço, pesquisa bônus, olha tabela, consulta estoque e não é que conseguimos? Sou a mais nova feliz proprietária de um LG GT810, devidamente batizado de Teco (o Tico ainda ficou aqui para a cabecinha não ficar oca de vez). Dentro do meu plano e considerando os pontos que eu tinha no programa de fidelidade, essa belezinha saiu de graça. Isso faz com que o acabamento metálico cromado ou polido (não sei bem a diferença) brilhe bem mais aos meus olhos. É um aparelho robusto, não transmite leveza ou fragilidade e isso para mim já faz uma super diferença. A tela é de 3 polegadas e é revestida por uma película que deixa quem o pega ela primeira vez na dúvida de qual é a frente do aparelho. Muito bonito o bichinho.

O preço (ou a ausência dele no meu caso) faz com que a câmera de 3.0 (sem flash) seja excelente assim como o Windows Mobile 6.1 que já vem instalado. Dá para se conviver com eles tranquilamente. Mais algumas coisas me incomodam muito:

1) Não consigo fazer com que ele só se conecte à rede de dados quando for solicitado (tenho a impressão de que isso faz a bateria evaporar);

2) Ele usa o Outlook para gerir contactos e compromissos, mas os aniversários armazenados em 'Contatos' não migram para o 'Calendário';

3) Não é Plug & Play. Precisa instalar o CD. Pra mim isso é "muquiranice", como diz meu Tio Oscar.

4) Não consegui me entender com o ActiveSync. Só quero um programa para fazer backups e transferir arquivos e parece que a sincronização de tudo (contatos, calendários, emails, arquivos) é levada muito a sério por aqui.

5) E o pior de tudo: não consegui configurar "I Feel Good" para ser meu despertador! Oh my God!!! Por que uma coisa tão simples não pode ser feita?

Tirando isso (e estou ciente de que algumas dessas coisas podem ser devidas simplesmente ao fato de que eu ainda não consultei o manual), tem sensor de movimento (ou acelerômetro para os iniciados - aprendi com a @happymoon) que é bem rápido (não no nível do iPhone, é claro), função de touchscreen - com caneta ou não - que funciona com bastante precisão (aliás, a caneta fica penduradinha dando um toque feminino a um aparelho até então bem ‘unisex’), slot para cartão microSD de até 8Gb e menus muito amigáveis. Vem com bastante coisa instalada, inclusive o MSN e o Google Maps com o tal A-GPS, que parece funcionar direitinho, mas isso eu ainda não testei.

Fico por aqui com meu primeiro pseudo-release tecnológico. Sigo futucando aqui meu brinquedinho novo e apanhando um pouco para me acostumar a tantas funcionalidades. Mas estou bastante satisfeita e acho que isso basta. Ou não?